30 de janeiro de 2026

Europa busca reparação histórica por caça às bruxas



Entre os séculos XV e XVIII, a Europa vivenciou o período mais crítico da chamada “caça às bruxas”, quando milhares de pessoas (a maioria mulheres) foram queimadas vivas sob a alegação de praticarem bruxaria. Não existia um método real que pudesse comprovar que aquelas pessoas faziam algum tipo de mal, ou se realmente eram bruxas, mas o Governo e a Igreja foram impassíveis quanto à perseguição e execução delas. Após mais de 200 anos do final deste período sombrio da história, diversas regiões europeias estão vendo crescer movimentos que buscam reparações históricas e pressionam os Governos a aprovarem projetos de leis que visam resgatar a memória e homenagear essas vítimas.

Em decisão recente, o Parlamento da Catalunha — região autônoma da Espanha — concedeu um perdão simbólico de cerca de 700 mulheres executadas no período. Essa decisão foi tomada após pesquisadores descobrirem que a região foi uma das primeiras a criminalizar a prática da bruxaria (1424 d.C) e começar a perseguição (1471 d.C). A pesquisa foi usada como argumento por representantes de partidos pró-independência para a votação da proposta que concedeu o perdão às mulheres e alegou que foram alvo de misoginia. Foram 114 votos a favor, 14 contra e 6 abstenções na votação da medida que, entre outras ações, prevê que os nomes de algumas dessas mulheres sejam dados às ruas da região.

Cerca de 80% das pessoas queimadas durante este período eram mulheres com as justificativas de serem mais fracas e de caírem em tentação. Outra justificativa era de que elas faziam pactos com demônios e causavam colheitas ruins, alteravam o clima e também eram capazes de lançar maldições aos seus inimigos.

Créditos: National Geographic

Jenn Díaz, do Partido Esquerda da Catalunha afirmou que “Existe uma conexão entre caça às bruxas e feminicídio. Queremos uma reparação e um entendimento de que o passado não está tão longe quanto pensamos”.

 

As medidas tomadas pelo Parlamento da Catalunha também incluem que novos estudos sejam feitos e incorporados ao currículo das escolas como forma de ensinar aos jovens sobre o passado trágico que se abateu na região, e que todas aquelas mulheres tinham um nome e uma vida pela qual zelavam.

A proposta feita ao Parlamento da Catalunha foi inspirada no movimento Witches of Scotland, que pressiona o Governo Escocês a conceder perdão, apresentar um pedido de desculpas formal e construir um memorial para as mulheres que foram perseguidas como bruxas na Escócia. Este movimento, por sua vez, foi inspirado em outras iniciativas da própria Escócia, Suíça, Noruega e Alemanha.

 

Para saber mais

A coleção Magicae, lançada pela DarkSide® Books, visa resgatar essas histórias e apresentar a Bruxaria como algo a ser vivido todos os dias. Com livros dedicados  inteiramente aos ardores e segredos das bruxas, Magicae celebra a vida, as fases da lua, as marés internas e os mistérios dos oráculos.

No livro Grimório das Bruxas, as raízes e visões da bruxaria são exploradas dos temores da Antiguidade até às superstições modernas. O autor Ronald Hutton mapeia as minúcias das narrativas de medo associadas à bruxaria e oferece importantes contribuições historiográficas, bem como novas abordagens antropológicas e etnográficas.

 

Como especialista em paganismo e bruxaria ao longo dos séculos, o autor nos conduz por uma jornada inesquecível pela África, o Oriente Médio, o sul da Ásia, a Austrália, a Europa e as Américas do Norte e do Sul, oferecendo importantes contribuições historiográficas, novas abordagens antropológicas e etnográficas.

 

 

Fonte: DarkBlog | DarkSide Books.



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